quarta-feira, 21 de julho de 2021

Boy, I am tired...

Mix of HamRadio Life and World War II interests...

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Depois do IARU HF Championship 2021, atividade de competição radioamadorística, usei uma foto de um soldado alemão (sem qualquer identificação) dormindo em cima da motocicleta e isso causou mal estar entre alguns amigos. Para distinguir soldados da Wehrmacht dos fanáticos do NSDAP, SS e etc, fui obrigado a elaborar o texto abaixo, e julguei interessante trazer os fatos para cá.

After IARU HF Championship 2021, amateur radio competition, I used a photo of a German soldier (without any identification) sleeping on a motorcycle, causing discomfort among some friends. In order to distinguish Wehrmacht soldiers from NSDAP, SS, & other fanatics, I was enforced by miself to prepare the text below, and I thought it was interesting to bring the facts here.



[POR]

Gosto da História Moderna, com interesse peculiar pela Segunda Guerra.

Desde 2004 visitei a Normandia quatro vezes para celebrações do dia D (60, 65, 70 e 75 anos). 

Em 2009 e 2014, durante jantares comemorativos, sentei-me à mesa ao lado de veteranos americanos e alemães que se enfrentaram durante a Segunda Guerra, em Ste. Mére Eglise. Eles se abraçaram, comeram e beberam juntos, dividindo suas histórias comigo. Foram soldados obrigados ao horror da guerra e aprendi com eles, por exemplo, a diferença entre ser alemão e ser nazista.

A fotografia utilizada representa alguém que está cansado. Não há sinais políticos. Apenas um soldado, extenuado, exausto, dormindo sobre sua moto. Em nenhum momento indiquei a nacionalidade ou opção política do motociclista. Pode ser húngaro, polonês, austríaco, ou até mesmo brasileiro.

Peço perdão pela escolha, e providenciarei a exclusão da fotografia, percebendo que ainda tenho muito a aprender com veteranos de todas as nações - lastimo apenas pelo fato de não haver mais tempo para isso, e por não compreendermos as lições daqueles (de qualquer lado) que me abraçaram nos eventos das praias normandas.


[ENG]

I like Modern History, with a peculiar interest in World War II.

From 2004 I’ve visited Normandy four times about D-day celebrations (60, 65, 70 and 75 years).

In 2009 and 2014, during commemorative dinners, I sat at the table next to American and German veterans who faced each other during the war, in Ste. Mére Eglise. They hugged, ate and drank together, sharing their stories and wine with me. They were soldiers forced into the horror of war and I learned from them, for example, the difference between being a German and being a ‘Naxist’.

The picture I used represents someone who is tired. There are no political signs or symbols. Just a soldier, exhausted, sleeping on his motorcycle. I never indicate the nationality or political option of the rider. He can be Hungarian, Polish, Austrian, or even Brazilian (yeap…).

I apologize for the choice, and will arrange to delete the picture, realizing that I still have a lot to learn from veterans of all nations - I am only sorry that there is no more time for this, and that we don’t understand the lessons of those (from any side) who embraced me at the events around Normandy beaches.

domingo, 30 de maio de 2021

Jeep life

O mano Marco Cesar Spinosa encontrou no G503 e embora eu não seja da turma da trilha, achei que a essência do raciocínio se encaixa a qualquer amante dos Jeeps.

Mantive o nome do autor ao final do texto e adicionei uma foto de meu 'porftolio'. Quando eu me aposentar, procuro fazer uma tradução poética.


THE DREAM THAT MANY WILL NOT UNDERSTAND

I bought a Jeep for a personal dream.
One day when I am very old and when I can not walk anymore, it will be in my garage as a trophy of my memories.
I met people who taught me something and have the same spirit. I met others that I'm glad I forgot.

I got wet,
I felt cold,
And I felt warm,
I was afraid,
I fell,
And I stood up,
I even hurt myself,
But also, I laughed out loud.

I spoke a thousand times with myself.
I sang and shouted with joy like a madman,

And yes ... sometimes I cried.



I have seen wonderful places and lived unforgettable experiences.
I often made curves that even Carlos Sainz would be proud of; other times I made curves full of terror.
I stopped a thousand times to see a landscape.
I spoke with perfect strangers, and I forgot people I see every day.
I went out with my demons inside and returned home with a feeling of absolute peace in my heart.
I always thought how dangerous it is, knowing that the meaning of courage is to advance even feeling fear.

Every time I got into my machine I think about how wonderful it is.

I stopped talking to those who do not understand, (they just do not understand) and I learned through gestures to communicate with other jeepers.
I spent money that I did not have, giving up many things, but all these things are not worth even a moment about my Jeep.

It is not a means of transport or a piece of iron with wheels, it is the lost part of my soul and my spirit.

And when someone says to me:
"You have to sell the JEEP and you have to be a more serious person",
... I do not answer. I just swing my head and smile.

talking about JEEP's..... only the person who loves them understands it.

Frank Berg #G503 @G503

sábado, 13 de março de 2021

Palestra - Giovanni Sulla


[ PORT - ENGL - ITAL ]


Iniciativa - Grupo Sergipano de Estudos da FEB (GRUSEF)
Initiative - Sergipe State Group of FEB Studies (GRUSEF)
Iniziativa - Gruppo Sergipe degli Studi della FEB (GRUSEF)




Giovanni Sulla é italiano com sangue brasileiro e americano. Sua história se confunde com a Força Expedicionária Brasileira e a 10ª Divisão de Montanha (USA) em combate na Linha Gótica entre 1944 e 1945. Apresentará conferência pelo ZOOM:

“A trajetória da FEB na Itália, sob a ótica de um italiano”

- 17.3.2021 - 22h00min UTC/GMT (19h00min Brasil).

O General Denison Correia, ex-adido militar na Itália, apresentará o conferencista. Giovanni usará “Portuliano”, misto de português e italiano, de fácil compreensão.

IMPERDÍVEL! Se você se interessa pela História da FEB, não perca.

- 17 de março de 2021 - (sala será aberta 21h30min UTC/GMT)

Use o seguinte ‘link’

Meeting ID: 868 8897 5919
Passcode: 460628

“A cobra vai fumar!”


Giovanni Sulla is an Italian guy with Brazilian and American blood. His history runs together with Brazilian Expeditionary Force (FEB) and the 10th Mountain Division (USA) in combat on the Gothic Line between 1944 and 1945. Sulla will present a conference by ZOOM:

“FEB's trajectory in Italy, from an Italian perspective”

- 17.3.2021 - 22h00min UTC/GMT (19h00min Brasil).

General Denison Correia, former military attaché in Italy, will introduce the speaker. Giovanni will use “Portuliano”, a mixture of Portuguese and Italian, which is easy to understand.

REMARKABLE! If you are interested about FEB History, don’t miss it.

- March 17, 2021 - (room will be opened 21h30min UTC/GMT)

Use the following ‘link’

Meeting ID: 868 8897 5919
Passcode: 460628

“Smoking Snake!”


Giovanni Sulla c’è italiano di sangue brasiliano e americano. La sua storia si confonde con la Forza di Spedizione Brasiliana (FEB) e la 10a Divisione di Montagna (USA) in combattimento sulla Linea Gotica tra il 1944 ed 1945. Presenterà una conferenza di ZOOM:

"La traiettoria di FEB in Italia, dal punto di vista di un italiano"

- 17.3.2021 - 22h00min UTC/GMT (19h00min Brasile).

Il Generale Denison Correia, ex addetto militare in Italia, introdurrà l'oratore. Giovanni userà "Portuliano", misto di portoghese e italiano, che è facile da capire.

IMPERDIBILE! Se sei interessato alla Storia di FEB, non perdertela.

- 17 marzo 2021 - (la sala verrà aperta 21h30min UTC/GMT)

Utilizza il seguente "link"

Meeting ID: 868 8897 5919
Passcode: 460628

“A Cobra va fumare!”








segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Resistência Francesa e as Mulheres

Há algum tempo alguém, e já não me lembro quem, perguntou sobre as mulheres na Resistência Francesa. Dei uma repassada por alguns repositórios na ‘internet’ e resumi algo sobre Simone Sigouin, mais abaixo. 
Também encontrei em minha biblioteca um livro recomendadíssimo sobre o assunto, “Resistência”, de Agnès Humbert.


Mais abaixo, a foto clássica de uma jovem com bermuda, boina e metralhadora ao lado de soldados franceses, e se tornou famoso símbolo da Resistência francesa na Segunda Guerra Mundial. Simone Segouin, mais conhecida pelo codinome Nicole Minet, somava apenas 15 anos quando os nazistas invadiram a França em 1940. Em 1944, juntou-se a Resistência Francesa e partiu para a luta, a começar pelo furto de bicicleta de um soldado alemão, depois usada para entregar mensagens entre os grupos da Resistência.



Evoluiu rapidamente e logo participava de ataques a trens alemães, explosão de pontes e atos de sabotagem. Liderou grupos de combatentes da Resistência e capturou 25 nazistas em Thivars, próximo a Chartres, nas semanas que se seguiram ao Dia-D (06.6.1944). Após a libertação de Chartres, fez-se presente quando Paris ficou livre no final de agosto daquele ano.


Única menina de quatro irmãos, tinha orgulho de mostrar ao pai, veterano da Primeira Guerra, seu caráter destemido. Foi para proteger a família que adotou um ‘nome de guerra’.


Segouin nunca foi presa pelos alemães. Foi promovida a Tenente e ganhou várias medalhas, incluindo a “Croix de Guerre”. Após a Guerra se tornou enfermeira pediátrica.


Em 2015, o ‘Daily Mail’ da Inglaterra descobriu Simone vivendo em Courville-sur-Eure, onde há uma rua com seu nome. Não se casou com Roland Boursier, seu grande amor dos tempos de Guerra, mas tiveram seis filhos.


Até onde se saiba, continua bem a esta altura (jan/2021) e fará 96 anos em outubro próximo futuro.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

CVMARJ List

Para todos os sócios do CVMARJ ou interessados em conhecer mais (ou compartilhar conhecimentos) sobre antigas viaturas militares, eis aqui o link para inscrição de seu "e-mail" na lista de discussão do Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro.





 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Curso de Museologia

É curso gratuito sem tutoria, mas 'puxado' e pode servir inclusive a colecionadores com acervos um pouco maiores do que habitual.

O melhor de tudo - sem custo e de livre acesso, com certificado.

Muito interessante para as horas livres do 'home office'. E são vários cursos disponíveis, como por exemplo: "TEMOS QUE DAR AULAS REMOTAS... E AGORA? - As aulas presenciais estão suspensas e temos que dar aulas online. São aulas...".

Embora eu já tivesse feito algo em anos passados via ENAP, valeu a redescoberta por conta do curso ligado a Museologia, sugerido por Silmara Kuster
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Enjoy
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https://www.escolavirtual.gov.br/
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Nenhuma descrição de foto disponível.

sábado, 25 de abril de 2020

Italia 75! Viva Montese e Viva a FEB!


(ITA - POR - ENG)
fatto/feito/made for Marcos by Vitor&Ana.
Per/para/for little celebration/zione/ção. Montese MO 25 Apr 2020.
Solenitá/dade/mnity corta/curta/short.
Lettura/Leitura/Reading no/não/not possibile/vel/ble - COVID19.

  


[ ITA ]

Sono trascorsi settantacinque anni e qui celebriamo la Liberazione di questo Paese, uno dei più belli del pianeta e così sofferto in periodo di pandemia. Paese che io e mia moglie abbiamo adottato come seconda patria, stabilendoci esattamente in questa città così rappresentativa per quella nazione che è riconosciuta come la "Seconda Italia" nel mondo - il Brasile.

Parlo adesso a nome dei nostri amici brasiliani, di quello quasi mezzo migliaio che hanno acquistato biglietti, prenotato hotel, sfruttato al meglio le repliche delle divise d'epoca e preparato bagagli con caffè, ‘cachassa’ e anacardi dal lungo viaggio a Montese, per la celebrazione annuale della Forza di Spedizione Brasiliana. La pandemia finora ha bloccato il percorso fisico, ma parte di loro ci sono adesso a la mia voce.

Sono trascorsi settantacinque anni. A questo punto, nell'Aprile 1945, i brasiliani andavano avanti, lasciando quasi un centinaio di vite nella liberazione di Montese. Dopo di che, anno dopo anno, la città ha mantenuto la sua aura, attirando la visita non solo dei turisti interessati al clima o buona cucina ... No, no ... I brasiliani sono tornati a poco a poco e hanno pianto insieme agli italiani nella riscoperta della storia. Venivano da soli, o di tanto in tanto, con "pracinhas" - i loro genitori, zii o nonni o anche solo amici.

Sono trascorsi settantacinque anni. Rui, Inhan, Meira, Goulart, Lansillote, Marino, Stéfani, Motta, Kodama, Moreira, Wolff, Silva, Correa e molti altri ci guardano a noi e per noi dal Acquartieramento Celeste; ce ne sono ancora molti sul piano terrestre, curati con più affetto, sia per quello che hanno vissuto nel 1945, sia per ciò che affrontano in questi giorni, come Anselmo, Leal, Diniz, Junqueira, e la relazione non si ferma.

Sono rimasti indietro settantacinque anni. Ed quá siamo noi, ancora al 25 aprile, fisicamente distanti l'uno dall'altro a causa di requisiti sanitari e legali, ma uniti nel nostro cuore a celebrare Italia nel giorno della sua Liberazione. Quei brasiliani di cui ora ci sono la voce, risuonano all'unisono: Lunga vita all'Italia, Lunga vita al Brasile, ed Viva la Liberazione.

A Cobra Segue Fumando. 

Ci sono Marcos Aurélio, Leila c’è a casa, siamo oggi Montesinos, com la “saudade” virtuale dal Brasile, scrivono Vitor e Ana con il Gruppo Storico della FEB.





[ POR ]

Setenta e cinco anos se passaram e aqui estamos celebrando a Libertação deste país, dos mais belos do planeta e tão sofrido em tempos de pandemia. País que minha esposa e eu adotamos como segunda pátria, fixando domicílio exatamente nesta cidade tão representativa para aquela Nação que é reconhecida como a “Segunda Itália” no mundo - o Brasil.

Falo agora em nome de nossos amigos brasileiros, daquele quase meio milhar que comprou passagens, reservou hotéis, caprichou nas réplicas de uniformes de época, e preparou malas com café, pinga e castanha de caju da longa viagem até Montese, para a celebração anual da Força Expedicionária Brasileira. A pandemia bloqueou a passagem física até aqui, mas parte deles agora é a minha voz.

Setenta e cinco anos se passaram. A esta altura, em abril de 1945, os brasileiros já seguiam em frente, perdendo quase uma centena de vidas na libertação de Montese. Depois disso, ano após ano, a cidade manteve sua aura, atraindo a visita não apenas de turistas interessados no clima ou boa gastronomia… Não, não… Os brasileiros voltaram aos poucos e choraram juntos aos italianos na redescoberta da História. Vieram sozinhos, ou de vez em quando, com ‘pracinhas’ - seus pais, tios ou avós ou apenas amigos.

Setenta e cinco anos se passaram. Rui, Inhan, Meira, Goulart, Lansillote, Marino, Stéfani, Motta, Kodama, Moreira, Wolff, Silva, Correa e tantos outros olham para nós e por nós lá do Acampamento Celestial; há muitos ainda no plano terrestre, cuidados com mais carinho, seja pelo que viveram em 1945, seja pelo que enfrentam nestes dias, como Anselmo, Leal, Diniz, Junqueira, e a relação não para.

Setenta e cinco anos ficaram para trás. E aqui estamos nós, mais uma vez num 25 de Abril, distantes uns dos outros fisicamente por exigências sanitárias e legais, mas unidos de coração para festejar a Itália no dia de sua Libertação. Aqueles brasileiros dos quais agora faço voz, ressoam em uníssono: Viva a Itália, Viva o Brasil, Viva a Libertação.

A Cobra Segue Fumando.

Muito obrigado.

Sou Marcos Aurélio, Leila está em casa, hoje somos Montesinos, com a saudade virtual desde o Brasil, de onde escrevem Vitor e Ana com o Grupo Histórico da FEB.





[ ENG ]

Seventy-five years have passed and here we are celebrating the Liberation of this country, one of the most beautiful on the planet and so suffered in pandemic times. Country that my wife and I adopted as a second homeland, settling in exactly this city so representative for that Nation that is recognized as the “Second Italy” in the world - Brazil.


I speak now on behalf of our Brazilian friends, of those almost half a thousand who bought tickets, booked hotels, made the best with replicas of period uniforms, and prepared baggage with coffee, ‘cachaça’ and cashew nuts tothe long trip to Montese, for the annual celebration of (FEB) Brazilian Expeditionary Force. The pandemic has blocked the physical way so far, but part of them are now my voice.

Seventy-five years have passed. By this time, in April 1945, the Brazilians were already moving on, losing almost a hundred lives to liberate Montese. After that, year after year, the city maintained its aura, attracting the visit not only of tourists interested in the climate or good cuisine ... No, no ... The Brazilians returned little by little and wept together with the Italians in the rediscovery of History. They came alone, or from time to time, with 'pracinhas' - their parents, uncles or grandparents or just friends.

Seventy-five years have passed. Rui, Inhan, Meira, Goulart, Lansillote, Marino, Stéfani, Motta, Kodama, Moreira, Wolff, Silva, Correa and many others look at us and for us from the Celestial Camp; there are still many on the terrestrial plane, cared for with more affection, either for what they lived in 1945, or for what they face these days, such as Anselmo, Leal, Diniz, Junqueira, and the list does not end.

Seventy-five years were left behind. And here we are, again April 25, physically distant from each other due to sanitary and legal requirements, but united in our hearts to celebrate Italy on the day of its Liberation. Those Brazilians of whom I now speak, resonate in unison: Long live Italy, Long live Brazil, Long live Liberation.


The Snake keeps on Smoking.

Thank you very much.

I am Marcos Aurélio, Leila is at home, today we are Montesinos, with virtual ‘saudade’ about Brazil, where Vitor and Ana in behalf of FEB Historical Group.



25 de Abril de 2020 - era para estarmos em Montese, hoje, não fosse a maldição do COVID.


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Luto do começo ao fim


O luto do começo ao fim

[ De Rui a Marino, para eles e seus companheiros ]

Não faz tanto tempo.
Em 2004, regressando de celebrações dos 60 anos do Dia-D na Normandia, cruzamos com três pilotos do “Senta a Pua” (voaram os P-47 na Itália durante a Segunda Guerra Mundial) na área de espera do aeroporto Charles de Gaulle em Paris - eram Rui, Meirinha e Goulart. O primeiro nos obrigou carinhosamente a acompanhar celebrações do Grupo já a partir de dezembro do mesmo ano, e ali começou uma bela amizade.
Frequentamos por anos o apartamento de Rui e Julinha em Copacabana, onde nos divertíamos jogando conversa fora. O aprendizado foi enorme, sobre a Guerra e sobre a vida. Era nosso contato inicial com as vidas de brasileiros que atravessaram o Atlântico para combater o nazifascismo em 1944/1945.
Ana e eu transformamos o casal em uma espécie de referência; eram a nossa enciclopédia do “carpe diem”. Nós a caminho dos 40/45 e eles para 90/95 anos de idade!
Seis meses antes de morrer, Rui deixou um recado em nosso telefone celular. Mandou brasa bem a seu estilo perguntando porque nós havíamos esquecido dos velhinhos, indagando retorno imediato, para compartilhar as amenidades da vida - foi prontamente atendido! De 2008 a 2013 nosso convívio pessoal diminuíra por conta das atribulações da vida, mas nos obrigamos a estar com eles algumas vezes, sendo que na última para um almoço inesquecível.
Rui Barbosa Moreira Lima partiu em 13.8.2013, deixando-nos em choque. Dois anos antes, José Marino, veterano da Força Expedicionária Brasileira e morador de Araraquara, lançava um pequeno livro de poesias.
Rui aviador e Marino infante conversaram por alguns minutos ao telefone durante a vernissage, por minha provocação, porque o segundo se lembrava de algumas investidas dos P-47 coordenados pelo primeiro em Montese e Monte Castelo.
A cronologia não se rompeu. De Rui (desde 2004) a Marino (a partir de 2010), continuamos com a curiosidade histórica, (re)introduzida por Hanks e Spielberg em “Resgate do Soldado Ryan” & “Band of Brothers”. O passamento de Rui foi amenizado pela convivência recente com Marino.
José Marino nasceu em 1920, em dia e mês ora dedicado internacionalmente a Mulher. Cresceu no meio agrícola. Viajou com a FEB para o norte da Itália no primeiro escalão, em julho de 1944 e deixou o combate à tirania de lado por apenas quatro dias, após ser ferido pelos nazistas na tomada de Montese (abril 1945).
Não o conhecíamos até metade de 2010, quando nos sentimos preparados a procurar os veteranos ‘pracinhas’ da região (moramos em Jaboticabal - SP) para um trabalho de resgate histórico, após voltarmos de homenagens (abril 2010) aos brasileiros na região onde combateram: Monte Castelo, Montese, Zocca, Abetaia, Pistoia, etc.
Buscamos o primeiro contato com Marino numa noite, provavelmente no segundo semestre de 2010, soando a campainha de sua casa, colorida por dezenas de orquídeas no jardim. Demorou para entender o que queríamos - estamos aqui para agradecer a um veterano - mas após alguns minutos, colocou-nos em sua sala, e a seguir na cozinha, abrindo logo o refrigerador, cortando agilmente queijo e salame, e servindo vinho tinto.
Dali por diante, a relação se estreitou e começamos a tirar Marino de casa com mais e mais frequência - desfiles, exposições, palestras, homenagens, jantares. De uma educação a toda prova, humilde até o último fio de cabelo (e ele tinha bastante), um verdadeiro lord inglês nascido em terras tupiniquins, sempre disposto.
O contato com o público parece ter feito muito bem ao veterano operador de morteiro de infantaria. Os desfiles começaram em agosto de 2011, no aniversário de Araraquara, quando já estávamos com o nosso Jeep 1942, seguindo para a Independência do Brasil, um mês depois em Jaboticabal. E assim, seguiram-se os anos, incluindo participações em Encontros Nacionais de Veteranos da FEB (inclusive no Rio de Janeiro, onde Marino só estivera na época da Guerra).
Foram inúmeros os ‘causos’ com Marino, com muitas curiosidades que valeriam, cada uma delas, crônicas em separado. A ‘jóia da coroa’ veio com a viagem surpresa para a Itália, em 2015 - agendamos passaporte sem ele saber, só foi para a Polícia Federal coletar digitais e clicar a foto, voltando quinze dias depois para segurar, em suas mãos, o documento de viagem, que obviamente o deixou intrigado.
Finalizamos a compra do bilhete aéreo e novamente o surpreendemos, voltando a sua casa para colocar a passagem no meio de seu passaporte e avisá-lo, com cinco meses de antecedência, de que ele embarcaria conosco em abril para Montese e Monte Castelo, onde combatera setenta anos antes. Maria do Carmo, filha de Marino, tão surpresa quanto o pai, quebrou os cofrinhos e nos acompanhou a todos para a bela festa promovida pelos italianos a seis ‘pracinhas’ que, nonagenários, voltavam ao país que só conheciam destruído, no final da guerra.
Logo se instala, para os que acompanharam a narrativa até aqui, o sentimento de injustiça no passamento desses homens e mulheres, porque é a História viva que se replica em si própria, minuto após minuto, dia após dia, por anos.
O tempo passou, a Itália celebrou nossos heróis, os brasileiros resgataram em parte (seja qual for a vertente política de cada um de nós) a beleza desse momento histórico, e aos poucos, como aconteceu com Rui, Lansilotte, Stéfani, Diogo, Gentilini, Meirinha, Correa, Mottinha, Zito, Moreira e tantos outros, eles foram dizendo ‘adeus’ de maneira muito singela, cultivando para os que estavam preparados, o sentimento de que se tratava, de fato, da nossa “The Greatest Generation”.
É nesse contexto que encaramos o “luto do começo ao fim”, porque o luto é a tristeza pela partida, e em seu fim, deve justificar e destacar a vida de quem se vai, não sua morte.
A notícia da viagem de José Marino para o “Bivaque Eterno” nos colheu com espanto em 31.12.2018, a despeito de seu estado de saúde fragilizado. Estávamos em viagem de férias, com pouco acesso a ‘internet’ e ao ingressar no Museu do Dia-D, em Porthsmouth (Inglaterra), a rede gratuita de Wi-Fi transformou o aparelho celular em uma britadeira de bolso que não parava de pulsar.
Sentados, começamos a ler as mensagens que não cessavam, algumas indagando sobre a veracidade das notícias e pêsames. Perdemos nosso chão, era uma etapa que se encerrava, e outra a que se agrega maior responsabilidade, esta como vetores dessa História imperdível de heróis. Não estivemos ao lado de Marino, corpo presente, durante o sepultamento - foi repetição do que aconteceu com Mottinha na mesma cidade, também ausentes. Mas nos sentimos acolhidos e representados por Maria do Carmo e Walney, além de todos nossos amigos que participaram das exéquias no primeiro dia de 2019.
Isso reforça a imagem de José Marino presente, vivo, sorridente, tomando sua taça de vinho tinto seco e orando todas as noites antes do repouso cotidiano.
É assim que deve ser. É assim que começa e é assim que vai terminar, com a esperança de dias melhores e a perpetuação da História dos ‘cobra-fumantes’. É por isto que fazemos o que fazemos, transformando “Belinha” (o Jeep 42) e a reencenação em anzóis de pesca a içar mais curiosos para o “lado iluminado da Força” … Expedicionária Brasileira.
Por Rui Barbosa Moreira Lima, no comecinho, e por José Marino, no finzinho. Por todos os que vieram antes e por todos aqueles que preencheram a lacuna, incluindo Max Wolff, Weber, Gentilini, Meirinha, Moreira e Zito. Pelos que vão continuar nos surpreendendo, como Ivan Alves, Toninho Inhan, Anselmo, Simão, Nestor. Por Junqueira, em São Lourenço MG, que nos atendeu ao celular ainda a pouco, do altos de seus 104 anos e nos tratou quase como netos, sem nunca ter nos visto (ou ouvido) antes. Pelos citados nominalmente, e pelos não citados - com eles não há exclusão - porque a humildade, entre os ‘pracinhas’, quase sempre é palavra de ordem.
As orquídeas queridas de Marino, floridas ao tempo do sepultamento, foram cuidadosamente cortadas e levadas para as cerimônias fúnebres. Não poderia haver, de fato, melhor companhia para o herói ferido pelos nazistas na tomada de Montese em 1945.
Procure um veterano da FEB, bata a sua porta, aperte sua mão e agradeça.
E não se fala mais em morte.
Jaboticabal, 08.1.2019.




domingo, 16 de dezembro de 2018

Marino, going bad


Marino, 98 WW2 Brasil (H)ero(i), lutando, lotta, fighting...
[POR - ITA - ENG]



Boletim Médico, Marino, 98 anos, Herói Brasileiro da Segunda Guerra.

José Marino saiu do hospital (14.12.2018) e voltou para sua casa, com o comprometimento de parte dos rins. Já não deixa mais o quarto e permanece acamado.

Visitamos Marino (15.12.2018) e ele compreendeu tudo. Conversou conosco, sem sair da cama. Estava inchado, por conta da hidronefrose.

Piorou no domingo (16.12.2018) e não será mais internado. Recebeu a visita do médico e está com muita falta de ar. Um tubo de oxigênio será instalado em seu quarto. 

Como em todos os outros 98 anos e 9 meses de vida, Marino luta.

Para todos aqueles que desejarem expressar sua preocupação e sua torcida, deixamos o endereço da família, para um telegrama de pronta recuperação:

AV MARIO YBARRA DE ALMEIDA 1019 CARMO  
ARARAQUARA SP - Brasil
Zip: 14801-420



Medical Bulletin, Marino, 98 years, Brazilian WW2 Hero.

José Marino left the hospital (14.12.2018) and returned to his home, with damage of part of the kidneys. He doesn't leave the room anymore and remains bedridden.

We visited Marino (15.12.2018) and he understood everything we talk. He talked to us without getting out of bed. He was swollen because of hydronephrosis.

He worsened on Sunday (16.12.2018) and will no longer be hospitalized. Received doctor's visit and is feeling severe lack of air. An oxygen tube will be installed in your room.

As in all other 98 years and 9 months of life, Marino struggles.

For all those who wish to express their concern and their care, we leave the family address for a telegram of quick recovery:

AV MARIO YBARRA DE ALMEIDA 1019 CARMO
ARARAQUARA SP - Brazil
Zip: 14801-420



Notizia dal Dottore, Marino, 98 anni, eroe brasiliano della seconda guerra.

José Marino lasciò l'ospedale (14.12.2018) e tornò a casa sua, con perdita di parte dei reni. Lui non lascia più la stanza e rimane costretto a letto.

Abbiamo visitato Marino (15.12.2018) e lui ha capito tutto. Ci ha parlato senza alzarsi dal letto. Era gonfio a causa dell'idronefrosi.

È peggiorato domenica (16.12.2018) e non sarà più ritornato in ospedale. Ha ricevuto la visita del medico ed è molto a corto di fiato. Un tubo di ossigeno verrà installato nella tua stanza.

Come in tutti gli altri 98 anni e 9 mesi di vita, Marino lotta.

Per tutti coloro che desiderano esprimere la loro preoccupazione e i loro carino, lasciamo l'indirizzo di famiglia per un telegramma di recupero rapido:

AV MARIO YBARRA DE ALMEIDA 1019 CARMO
ARARAQUARA SP - Brasile
Zip: 14801-420

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Até Breve, Jovino (FEB)

Mais um Herói-Amigo seguiu para o Bivaque Eterno. 

Jovino Gentilini foi Terceiro-Sargento da Força Expedicionária Brasileira, embarcando com o Primeiro Escalão para a Itália em 02 de julho de 1944, no II/ 1º ROAuR. Voltou ao Brasil em 18 de julho de 1945.

'Pracinha' Jovino Gentilini e Ana, ao lado do
Jeep Willys MB 1942 (FEB)

Desde 2015, Jovino esperava por nós no domingo de encerramento do Classic Car Poços de Caldas, MG.

Era alegria recíproca e ele sempre lembrava que era o único remanescente da cidade a ter combatido no Norte da Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Poços de Caldas está mais triste. Ana e eu também, e muito.

Foi no domingo a tarde, após deixarmos o XI Classic Car e seguir para a Rua Piauí, que tivemos contato com a notícia de sua internação na quarta-feira, 01 de agosto 2018.

Com suas filhas, neta e seu primeiro bisneto, de cinco meses, passamos meia hora falando sobre Jovino, fotografando o bisneto ao volante do Jeep Willys MB 1942 padrão FEB, e saímos de lá com a certeza absoluta de que em agosto de 2019, daríamos finalmente uma voltinha de 'capota abaixada'...

Infelizmente, no dia seguinte (06.8.2018), quando já estávamos em Jaboticabal SP, Jovino partiu...

Missão Cumprida!
A Cobra Continua Fumando!!

Alguns 'links' de publicações sobre o passamento de Gentilini: